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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Gibran Khalil Gibran (Letícia Sabatella/Marcus Viana)


Já estava me preparando para fazer esta gravação, quando encontrei esta jóia de Letícia Sabatella e Marcus Viana.
Não consegui seguir adiante…
A interpretação de Letícia está linda e dispensa quaisquer comentários.


Na Floresta

Na floresta não existe nem rebanho, nem pastor
Quando o inverno caminha, segue seu distinto curso como faz a primavera
Os homens nasceram escravos daquele que repudia a submissão
Se ele um dia se levanta, lhes indica o caminho, com ele caminharão
Dá-me a flauta e canta!
O canto é o pasto das mentes
E o lamento da flauta perdura mais que rebanho e pastor

Na floresta não existe ignorante ou sábio
Quando os ramos se agitam, a ninguém reverenciam
O saber humano é ilusório como a cerração dos campos
que se esvai quando o sol se levanta no horizonte
Dá-me a flauta e canta!
O canto é o melhor saber,
e o lamento da flauta sobrevive ao cintilar das estrelas

Na floresta só existe lembrança dos amorosos
Os que dominaram o mundo e oprimiram e conquistaram,
seus nomes são como letras dos nomes dos criminosos
Conquistador entre nós é aquele que sabe amar
Dá-me a flauta e canta!
E esquece a injustiça do opressor
Pois o lírio é uma taça para o orvalho e não para o sangue.

Na floresta não há crítico nem sensor
Se as gazelas se perturbam quando avistam companheiro,
a águia não diz: 'Que estranho' Sábio entre nós é aquele que julga estranho apenas o que é estranho


Ah, dá-me a flauta e canta!
O canto é a melhor loucura e o lamento da flauta sobrevive aos ponderados e aos racionais.

Na floresta não existem homens livres ou escravos
Todas as glórias são vãs como borbulhas na água
Quando a amendoeira lança suas flores sobre o espinheiro,
não diz: 'Ele é desprezível e eu sou um grande senhor'
Dá-me a flauta e canta!
Que o canto é glória autêntica e o lamento da flauta sobrevive ao nobre e ao vil.

Na floresta não existe fortaleza ou fragilidade
Quando o leão ruge não dizem: 'Ele é temível'
A vontade humana é apenas uma sombra que vagueia no espaço
do pensamento e o direito dos homens fenece como folhas de outono
Dá-me a flauta e canta!
O canto é a força do espírito e o lamento da flauta sobrevive ao apagamento dos sóis.

Na floresta não há morte nem apuros
A alegria não morre quando se vai a primavera
O pavor da morte é uma quimera que se insinua no coração
Pois quem vive uma primavera é como se houvesse vivido séculos
Dá-me a flauta e canta!
O canto é o segredo da vida eterna e o lamento da flauta permanecerá após findar-se a existência.

Letícia Sabatella/Marcus Viana


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LÁ VAI UM MENINO















Lá vai um menino

correndo atrás do vazio.

Lá vai um menino,

que de tão pequenino

entre os carros que passam,

se perde no tempo

de ser apenas menino...


Esse menino,

que sonha sozinho,

só pede um pouquinho

da luz que queria.

Ter a estrela pequenina,

quando a noite vai fria.


Pobre menino.

Invisível aos olhos

que vão sonolentos,...

Da tristeza ensaiada,

da vida roubada,

dos sonhos menino.


Esse menino

vai pelas calçadas,

com roupas rasgadas

e a alma em desatino.


Volta menino

a ser pequenino. Vive.

A vida te dará um sorriso

e, quando a noite chegar

e com tuas asas sonhar,

te alcançará o paraíso...

e jamais terás que vagar,

pois terás encontrado o caminho.


Daniel Amaral

04/12/2006


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